quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Homens que são mulheres - 2ª Parte.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum traseunte moverá um dedo em sua defesa. " Alguma ele deve ter feito para merecer ", pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cela masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.

Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetados por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem as inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber informações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina. Direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?

Dráuzio Varella- Médico oncologista. É autor, entre outros, do livro " Estação Carandiru "(Companhia das Letras), que recebeu o Prêmio Jabuti em 2000.

Fonte: Folha de São Paulo, publicado aos 14 de abril de 2009.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Homens que são mulheres - 1ª parte.

Por: Dráuzio Varella

De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é dirigida contra os travestis

Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, mulçumanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõesm o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?

Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travesti só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso.

Mas, como tiveram o inortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochicos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergaonhados.

Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Homens que são mulheres!

Amanhã, 29 de setembro, publicarei a 1ª parte do artigo de Dr. Dráuzio Varella: Homens que são mulheres.

Aguardem!

Coisas da natureza!

O coração do beija-flor descansando bate 500 vezes por minuto e, quando está voando, chega a 1.200 vezes.

Belo e acelerado, às vezes ofegantes, assim também somos. Quando é possível.

domingo, 27 de setembro de 2009

Ficha limpa!

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, levará à Câmara dos deputados federais o projeto ficha limpa. A proposta que institui a "ficha limpa" para as eleições será entregue na próxima terça feira, dia 29 de setembro, na Câmara dos Deputados.

O projeto de lei, de iniciativa popular, recebeu 1 milhão e trezentas mil assinaturas, coletadas pela CNBB, trabalho organizado e realizado em todo país.

O texto torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão-de-obra escrava e estupro.

Iniciativa progressista

A inicativa da CNBB é bastante louvável e apropriada, mas é pouco provável que prospere, tendo em vista as diretrizes aprovadas recentemente pela Câmara dos deputados, que deverão reger o pleito eleitoral de 2010.

Tudo indica que serão eleições com alto teor de corrupção, compra de votos aliciamentos de diversas formas, uso ostensivo da máquina pública e outros instrumentos que bem manejados produzirão uma distorção de natureza grave para a democracia e a representação parlamantar e executiva.

Nada mais desigual concorrer um pleito com quem tem dinheiro público para fazer financiamento privada de campanha, caso mais explícito são os das emendas parlamentares, verdadeira compra e venda de apoios políticos, principalmente eleitorais. É a compra de votos institucionalizada, reconhecida pela Lei.


Mas, enquanto não mudamos esta situação, temos um grande desafio que é o de enfrentarmos e vencermos os obstáculos do chamado processo democrático.




A CNBB está de parabéns.

sábado, 26 de setembro de 2009

Sucessão!

" O presidente Lula havia manifestado ao partido a intenção de unir toda a sua base de apoio em torno de apenas uma candidatura, mas nós ponderamos que seria melhor um cenário com mais de uma candidatura no campo governista ".

Eduardo Campos-Governador de Pernambuco e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro-PSB, ao afirmar que Ciro Gomes não deve disputar o governo de São Paulo em 2010. Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, aos 24 de setembro de 2009.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Movendo o mundo!

" O que move o mundo não são as respostas, são as perguntas ".



Publicidade veiculada na TV Cultura.